Dois dedos de conversa com a Steelground

Sabemos que o calçado Português é dos melhores do mundo. E se a isso se aliar o veganismo só pode ser um sucesso. Entrevistámos assim Linda Teles, responsável de vendas da marca de calçado Steelground, que trouxe uma lufada de ar fresco ao panorama do calçado vegan; Preocupados com a sustentabilidade ambiental e com o respeito para todos os seres vivos, fica assim a conhecer melhor a Steelground:

  1. Como é que nasceu a Steelground?

A Steelground surgiu há mais de 10 anos, pertencendo á fábrica de calçado felgueirense Segura Sic, Lda, com mais de 30 anos de existência.

Se inicialmente era direcionada para segmentos alternativos, como punk, rock, goth, etc, com modelos em pele, mas também Vegan e vendida a nível mundial para um nicho de mercado. Agora, para além disso fabricamos calçado casual também em vegan, para homem senhora e bebé para uma, cada vez mais vasta clientela.

2. Então e porque sentiram a necessidade de uma linha vegan?

Por ser uma questão de evolução e sobrevivência.

Decidimos em 2017, devido à grave crise sem precedentes que o planeta atravessa, e a nossa consciencialização face ao sofrimento animal, obrigatório desenvolvemos coleções mais casuais com materiais Vegan e sustentáveis, para alcançarmos mais segmentos de mercado. Por acharmos ser necessário mostrar que há opções trendy, duráveis, saudáveis e de qualidade, sem ser em pele. 

 Oferecemos assim, um leque mais vasto e apelativo para diferentes idades. 

Aliás, cada vez mais figuras públicas criam as suas próprias linhas, e com materiais que nós já trabalhamos há anos. Acaba por se tornar “moda”, devido a todo o mediatismo  positivo – e esperamos nós, algo que fique.

Destacamo-nos assim, ao usarmos nessa linha materiais biodegradáveis, como pinatex, juta,  algodão orgânico, microfibras, materiais reciclados ou upcycled como Seaqual fabric ( plástico reciclado) e estofos de carros – exclusivo da nossa marca

3. Como adere o público a sapatilhas de pele de ananás por exemplo?

O Pinatex, obtém-se através da decorticação das folhas do ananás. Se pensarmos bem, é um processo – ainda que não tão sofisticado na altura – semelhante aos dos nossos avós para outros materiais naturais. Como é cruelty free e o próprio excesso da produção do pinatex pode ser reutilizado como fertilizante ou biofuel, nada é desperdiçado. Acabamos por ter calçado quase 100% sustentável, já que a maioria dos artigos em Pinatex, têm inclusive, na nossa marca, sola de borracha reciclada.

Se as pessoas gostam? Sim, adoram, e ficam maravilhadas com o facto de ser feito de folha de ananás. Acaba por ser uma volta ao passado. Se pensarmos bem, a Natureza providencia tudo. 

Neste momento, não há muitas opções de cores, mas o preto o branco, coral, prata e dourado são uma opção. 

No entanto, o material que é comummente aceite são as microfibras, uma opção alternativa e ética, muito semelhante á pele, com o benefício de ser cruelty free.

4. Quais são as principais dificuldades num mercado tão competitivo como o do calçado?

Neste momento, penso que a dificuldade é mesmo a mentalidade tanto de quem faz, como de quem compra o calçado.

Se há alguns anos, falar de calçado Vegan era imediatamente associado a plástico, e só o que era pele era bom, ou por outro lado a questão da sustentabilidade do planeta era risível – até porque, de alguma maneira, todos nós achamos o planeta um dado adquirido. 

Neste momento, as marcas que até agora batalhavam para hastear a bandeira da consciencialização do sofrimento animal, ou até o facto de o planeta estar a gritar por ajuda. Agora, vêm os seus esforços dar frutos.

No entanto, existe muito ainda  – fruto dos lobbies das indústrias da exploração animal – a mensagem que a pele é sustentável, uma vez que o tanning pode por exemplo, ser cromium free ou que de qualquer maneira, se não for usada em calçado iria ser um desperdício…

Essas informações isoladas, por si só, teriam algum sentido, se esquecêssemos a crueldade e a exploração animal e todos os malefícios inerentes a esta indústria para o planeta.

É aí que indústrias como a do calçado, devem primar pela diferença e oferecer opções à pele para quem as procura. 

No entanto, acabam por ser tão interessantes, ou em alguns casos tão comuns e fashion, tendo logo uma grande aderência  mesmo para quem não tem preocupações ambientais ou éticas do género.

Penso que neste momento, a questão não é estar constantemente a abrir a ferida mas mostrar opções.

Há o receio de se perderem postos de trabalho, mas o facto é que a história tem provado, que desaparecem uns e surgem outros. Ironicamente o mesmo se pensava quando as primeiras maquinarias foram surgindo nas indústrias no séc. XXI…

5. E para terminar quais são os vossos projetos para o futuro? Vão trabalhar com mais materiais veganos? 

O nosso objetivo primordial, era mesmos ter uma produção 100% Vegan. 

Quem sabe num futuro próximo? Neste momento, felizmente, para além da nossa marca, também fazemos outras Vegan. Tem-se notado um aumento gradual.

Temos grande interesse em introduzir novos produtos Vegan e/ou sustentáveis.  Dá a sensação que está a haver um “boom” de novos materiais, como a “pele” de fibras de casca de maçã, cogumelo, etc. 

Pela nossa parte, na última feira que participamos do segmento, fomos entrevistados pela Euronews a Conscious fashion (que trabalha em parceria coma ONU para assegurar que os objectivos de sustentabilidade, são seguidos pelas indústrias), etc devido à introdução de estofos de assentos de carros em fim de vida, para as nossas sapatilhas, que vamos buscar a sucatas e reintroduzimos na indústria, dando-lhe uma nova vida.

Assim, em vez de ir para aterros, ou ser destruído de alguma maneira, contribuindo para a já sofrível condição do planeta, torna a circular no mercado. 

Perguntaram-nos “porquê os estofos”, ao que coloco sempre a questão: “Mas e porque não?”. 

É um material feito para durar, e está ali disponível para ser utilizado. 

A sustentabilidade do planeta, é mesmo parar de produzir NOVAS matérias primas e reutilizar até ao limite, as já existentes. Seja o plástico, borracha, etc.

O que permitirá, como consequência, re-utilizar todo o desperdício que vemos no planeta e diminuir drasticamente a nossa pegada ecológica.

As informações e produtos existem, resta que os seres humanos façam algo com ela.

Podes ver a coleção aqui:

http://www.steelground.pt

Segue no instagram:
www.instagram.com/steelgroundofficial

Fala com a marca:

Linha de apoio ao cliente:919877357 / 255136617
Email para contacto : customerservice@steelground.pt


DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here