“Dignidade para todos os animais!” foi a frase mais ouvida na Marcha

Por: Isabel Santos Moura 

No passado dia 14 de setembro, em Lisboa, realizou-se a Marcha Oficial pelos Direitos dos Animais, uma iniciativa organizada anualmente por um movimento britânico de defesa dos direitos dos animais, denominada “Surge”. Em Portugal, a marcha tem sido da responsabilidade da organização Acção Direta, que, em 2019, contou com a parceria da Vegans for Love – Portugal.
O ponto de encontro dos participantes foi na Praça dos Restauradores, onde se realizou um “Cubo da Verdade”, antes de se iniciar a marcha. Neste cubo, iniciativa do movimento “Anonymous for the Voiceless”, participaram cerca de 70 ativistas que mostraram imagens de vídeo fortes mas, infelizmente, reais da violência a que são sujeitos os animais explorados pela indústria pecuária e piscícola. Nem o calor abrasador que se fez sentir neste dia demoveu os ativistas do seu sentido de missão e durante, aproximadamente, hora e meia mostraram a verdade a quem passava na rua, abordando os transeuntes de forma pacífica e numa perspetiva de sensibilização para o sofrimento animal, cruel e desnecessário.
Pouco antes das 16h00, decorreu um breafing, orientado por José Alberto Oliveira, organizador regional dos Anonymous for the Voiceless e administrador da página de Facebook “Vegans for Love – Portugal”, parceira da marcha. Pouco depois das 16h00 começou a marcha, na Praça dos Restauradores, que contou com a participação de várias organizações como a PATAV – Plataforma Anti-transporte de Animais Vivos, o MATP – Movimento pela Abolição da Tauromaquia de Portugal, o Mundo Verde, com página e grupo no Facebook ligados à alimentação vegetariana e ao estilo de vida vegano, o Animal Save Portugal, entre outras organizações com um papel relevante e importantíssimo na defesa dos animais em Portugal.
Ao longo da marcha, foram várias as pessoas que iam a passar e que acabaram por se juntar aos ativistas. Contrariamente ao noticiado por alguns órgãos de comunicação social, que afirmaram ter sido cerca de uma centena de pessoas a participar na marcha, a verdade é que esta contou, no mínimo, com cerca de 500 pessoas, vindas de várias zonas do país, designadamente do Porto, Coimbra, Aveiro, Viseu, Algarve, Lisboa, Baião e até mesmo da Alemanha e Reino Unido.
Passando pelo Rossio, Rua do Carmo, Largo Luís de Camões e Calçada do Combro, a marcha terminou na Rua de São Bento, mesmo em frente à Assembleia da República, onde discursaram alguns elementos das entidades envolvidas na organização da marcha. Um dos discursadores convidou os ativistas a participar num momento de simulação dramática, apelando a que se deitassem e imaginassem serem animais não humanos num matadouro, prontos para o abate. Os ativistas presentes acederam e deitaram-se todos no chão, fechando os olhos, criando mentalmente essa realidade, ouvindo a reprodução dos guinchos de desespero de porcos no matadouro, momentos antes do seu abate, seguindo-se o silêncio após a morte. Este momento teve como principal objetivo sensibilizar alguns dos participantes (nomeadamente os que ainda não são vegetarianos e/ou veganos) para a crueldade da indústria pecuária, levando a que muitos vertessem algumas lágrimas, decorrentes da genuína empatia e compaixão pelos milhares de animais que todos os dias morrem nos matadouros.
Seja por razões de questão ética, saúde ou ambiental, o veganismo é o caminho de quem pretende viver e deixar viver, de quem pretende deixar às gerações seguintes um planeta ambientalmente saudável, de quem pretende fazer jus ao facto de a nossa raça se chamar “humana”. A dor e consequente morte
causada aos animais por mero comodismo e gula, desumaniza a nossa raça e o facto de se amarem animais domésticos como cães e gatos mas se comerem outros como porcos, vacas e cabritos, torna incoerente a afirmação proferida por muita gente que diz “Eu amo animais!”. Esta marcha teve como principal objetivo chamar a atenção da sociedade política e da sociedade civil para a necessidade de serem criadas leis de proteção animal que sejam inclusivas e não exclusivas a algumas raças, alertando também para a importância da efetiva aplicabilidade das parcas leis já existentes e que, infelizmente, muitas vezes, não passam do papel. A participação nesta marcha é crucial por todos aqueles que desejam a mudança de paradigma no que aos animais não humanos diz respeito. Quem gosta, cuida e uma das melhores formas de cuidar é dar voz aos que não a têm, por isso lutemos, juntos, pela mudança que queremos ver no mundo. Por eles, por nós e pelo planeta

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