Nas Escolas Alternativas “A meditação também veio substituir o “tempo de castigo” e os resultados são muito positivos”.

Por : Sónia Dias, autora do site aminhamaevegana.com

As escolas alternativas não seguem todas as mesmas metodologias.

No entanto, uma coisa todas têm em comum: o respeito pelo desenvolvimento individual da criança. Cada criança tem o seu ritmo de aprendizagem, a sua forma de reagir a diferentes estímulos e competências diferentes.

Numa escola alternativa é normal a não existência de exames, de testes e até mesmo de plano curricular. Acredita-se que sem essa pressão dos exames as crianças avançam com mais confiança e auto-estima, respondendo melhor aos estímulos e cumprindo as tarefas com mais prazer. Os modelos educacionais são adaptados às crianças e aos seus interesses. Cada uma realiza a tarefa a seu tempo, não havendo altura certa para começar a escrever, ler ou fazer contas. O tempo para brincar é muito valorizado, com base na crença de que enquanto se brinca aprende-se sempre algo. Esse tempo deverá ser passado no exterior, em contacto com os animais e com a natureza.

O movimento e o gasto energético são muito importantes para a concentração; se a criança tiver energia acumulada, devido a ficar muitas horas sentada, atingir um estado de concentração é muito mais difícil. Nestes modelos escolares, também costuma promover- se a descoberta por parte da criança, acreditando- se que desta forma o conhecimento adquirido fica muito mais consolidado do que se for o adulto a ensinar e a criança no mero papel de espetador. Assim sendo, o ambiente tem de estar preparado para que esta possa escolher livremente o que quer fazer e trabalhar, encontrando tudo o que precisa sem que seja necessário recorrer a um adulto. A livre manipulação de material com as mãos é uma ferramenta poderosa para adquirir competências cuja aprendizagem possivelmente seria muito mais difícil só pela teoria.

Mas desengane-se quem pensa que nestes modelos escolares não existem regras. Por exemplo, na pedagogia Montessori, um conhecido modelo de desenvolvimento muito bem sucedido, há um currículo e atividades a cumprir. No entanto, a criança pode escolher quais completar primeiro, respeitando sempre o seu ritmo. Crianças que se sentem respeitadas e valorizadas aprendem a respeitar e a valorizar o outro.

Outra regra a cumprir é a da não violência. Pedagogia positiva não significa que a palavra “não” não existe, mas sim que esta é usada em momentos importantes e de forma assertiva, para não haver a banalização da palavra nem da intenção.

A meditação também veio substituir o “tempo de castigo” e os resultados são muito positivos. A música, a pintura e a arte no geral têm a mesma relevância que as restantes matérias, acreditando-se que estas têm um papel fundamental para o desenvolvimento criativo e emocional da criança. Estas escolas normalmente também têm uma vertente ecológica muito forte, educando e dando exemplos práticos diários de sustentabilidade e de preservação ambiental.

A promoção de bons hábitos alimentares também costuma ser uma preocupação. Algumas escolas têm ementas 100% vegetarianas, livres de açúcares refinados e as crianças podem plantar as suas frutas e vegetais nas hortas escolares. Existe o princípio de educação sustentável, uma educação que se compromete com as futuras gerações e as suas necessidades. Por fim, há uma grande valorização da educação na primeira infância. As crianças de hoje são os adultos de amanhã e precisamos de cidadãos ativos, pensantes e com uma boa estrutura emocional. Só desta forma conseguiremos criar uma sociedade futura melhor.


DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here